Perondi entra na luta contra preconceito aos doentes de epilepsia

Hoje, no Brasil, existem cerca de quatro milhões (2% da população) de portadores de epilepsia. Mais da metade não recebe nenhum tratamento ou recebe tratamento inadequado. 80% das pessoas que recebem os medicamentos certos ficam curadas. O problema é que ainda existe muita desinformação e junto com ela, o preconceito. O tratamento da epilepsia é feito, essencialmente, com medicação para o controle das crises – 70% dos casos de epilepsia podem ser tratados e controlados com medicamentos de baixo custo, que são distribuídos gratuitamente em toda a rede do SUS. Para debater o tema, será realizado na Câmara dos Deputados, no próximo dia 29 de setembro, o Primeiro Fórum Nacional – “Epilepsia Fora das Sombras”, organizado pela Federação Brasileira de Epilepsia – EPIBRASIL. A Presidente da entidade, a neurocientista Carolina Doretto, recebeu o apoio do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-presidente da Comissão de Seguridade Social e Família.

Segundo Carolina Doretto, o Brasil é signatário de uma Declaração Internacional, mas que ainda precisa ser implementada. O Ministério da Saúde, inclusive, possui políticas contra a epilepsia no âmbito do Sistema Único de Saúde, mas cujos protocolos estão desatualizados. “Estamos discutindo com o Ministério novos protocolos, para que crises convulsivas sejam atendidas na atenção primária e para que médicos recebam capacitação”, explicou.

O deputado Darcísio Perondi acredita que o Fórum pode se transformar num marco na luta contra a epilepsia, principalmente em relação ao preconceito. Hoje, as famílias escondem seus filhos doentes por conta do preconceito. E as pessoas portadoras de epilepsia ficam constrangidas de sair de casa, com medo de ter uma crise convulsiva em público.

Ainda hoje, uma significativa parcela da sociedade entende a epilepsia como um mal associado a causas sobrenaturais ou problema de insanidade mental. Embora seja um problema físico (neurológico), por incompreensão ou pela perpetuação de falsas crenças, muitas pessoas com epilepsia são marginalizadas. O convívio escolar é uma circunstância particularmente delicada para pacientes, especialmente crianças. Pode ocorrer baixa expectativa de professores e rejeição dos colegas, fatores que contribuem negativamente para o aprendizado.

No campo do trabalho, a situação também é grave. Um estudo feito pela ASPE-Brasil – Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia, mostra que 50% a 60% dos pacientes escondem sua condição ao procurar uma colocação no mercado profissional, pois a maioria dos empregadores considera arriscado contratar trabalhadores com epilepsia. Entretanto, segundo o mesmo estudo, os índices de faltas por doenças e de acidentes de trabalho são equivalentes ao dos demais empregados.

A epilepsia é uma doença não contagiosa, caracterizada por crises epilépticas repetidas. Ela se manifesta em indivíduos de todas as idades, sendo mais frequente entre crianças e idosos, por serem mais vulneráveis a infecções, acidentes e doenças, cujas complicações podem causar crises epilépticas. Somente uma pequena parte das epilepsias tem componente hereditário. A maior parte é adquirida.

O Primeiro Fórum Nacional sobre Epilepsia será realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, no dia 29 de setembro, às 9 às 13 horas.

Foto (Fábio Paiva): Perondi e Carolina Doretto

Foto (Fábio Paiva): Perondi e Carolina Doretto

2 comentários em “Perondi entra na luta contra preconceito aos doentes de epilepsia

  1. Caro Deputado Peroni, o apoio á causa da epilepsia é muito importante para um grande número de brasileiros que ainda estão convivendo nas sombras, com medo de ter uma crise e serem discriminadas. Atualmente os medicamentos básicos não estão sendo oferecidos nos Centros de Saúde com a justificativa de falta de recursos. O mesmo com as farmácias estaduais . O SUS está em risco e nós tbm. Contamos com seu apoio. Denise Martins Ferreira

  2. Embora que para mim, que sou portadora de epilepsia adquiri aos 21 anos e me trato desde então a 13 anos, e não sabia que a mesma tem cura apoio sim mais atenção a doença. O preconceito é decorrente de muita falta de informação. Tão comum quanto a diabetes e a hipertensão, a epilepsia começa bem mais cedo e é ainda desconhecida por muitas. Aguaudamos bons resultados de mais um abraçando nossa causa.

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