Reforma da Previdência é a vontade popular

Até recentemente, as corporações privilegiadas do serviço público eram capazes de confundir e amedrontar a população, envenenando-a contra a Reforma da Previdência através de milionárias campanhas de desinformação. Como é impossível enganar todo o mundo o tempo todo, a verdade incontestável das contas públicas vai se impondo à grita das minorias que se aposentam cedo, com 20 mil, 30 mil ou mais por mês e, por isso mesmo, se opõem à reforma que vai acabar com essas regalias.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já mostrou que o rombo financeiro da Previdência Social no ano passado foi de R$ 226,9 bilhões, e que, sem reforma, daqui a pouco mais de dez anos, todo o dinheiro dos impostos arrecadados pelo governo federal irá para o pagamento de aposentadorias e pensões, não sobrando um centavo para investir em saúde, educação e segurança pública. E, daí em diante, o governo não terá recursos sequer para honrar seus compromissos com quem já está aposentado ou ainda espera se aposentar, a exemplo do que ocorreu na Grécia e está acontecendo no Rio de Janeiro.

É insustentável e injusto manter a situação atual, em que 1 milhão de aposentados do funcionalismo federal recebem mais que os cerca de 30 milhões de beneficiários do INSS, e os 20% mais pobres ficam apenas com 4% dos gastos da Previdência Social, enquanto os 20% mais ricos abocanham 35%.

Enfim, o povo começa a compreender que a reforma defendida pelo governo Michel Temer e que a Câmara dos Deputados se prepara para votar em fevereiro de 2018 igualará os sistemas de aposentadoria dos servidores públicos e dos trabalhadores da iniciativa privada, sem violar nenhum direito adquirido, nem mudar as regras da aposentadoria para 75% da força de trabalho. A reforma não vai atingir os mais pobres, como pequenos agricultores ou quem recebe o Benefício de Prestação Continuada (BCP). E vai manter o período mínimo de contribuição para se obter aposentadoria.

A virada da opinião pública a favor da mudança foi captada numa pesquisa nacional que o Correio Braziliense acaba de publicar: se, em abril último, 61% dos entrevistados a rejeitavam, agora essa proporção caiu para 30%. Hoje, 67% já concordam que servidores públicos e trabalhadores do setor privado devem se aposentar pelas mesmas regras, e 55% são favoráveis ao fim dos privilégios de algumas categorias.

Estou convicto de que esses resultados darão mais segurança e tranquilidade aos meus colegas da Câmara, encorajando-os a aprovar a reforma, sem temer o terrorismo das campanhas mentirosas que os ameaçam com o fantasma da derrota eleitoral no ano que vem. (Na verdade, um estudo da Consultoria Legislativa do Senado Federal já tinha desmanchado esse mito, comprovando que a maioria dos parlamentares que votaram a favor da minirreforma proposta pelo governo FHC foi reeleita em 1998.)

Hoje, mais do que nunca, a sociedade brasileira exige que o seu amadurecimento se reflita na deliberação responsável dos deputados federais. E não vai perdoar a covardia ou a omissão de quem optar pela defesa dos privilégios que a Nação não tem mais como bancar.



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