Perondi pede mais convergência no Rio Grande do Sul

A Câmara dos Deputados realizou, nesta segunda-feira (21), sessão solene em homenagem aos 174 anos da Revolução Farroupilha, episódio no qual o Rio Grande do Sul consolidou sua integração à Nação Brasileira. O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que abriu os trabalhos na presidência da sessão, aproveitou seu discurso para pedir mais convergência no Estado. Perondi lamentou a “guerra” política que vem sendo travada no Rio Grande e que tem a governadora Yeda Crusius no foco principal. “A Guerra dos Farrapos foi uma luta pelo nosso Rio Grande, mas no Estado, cada eleição é uma batalha. Passa a eleição, não conseguimos nos convergir. Isso é um desafio para nós políticos, de todos os partidos”, disse.

Segundo Perondi, o Rio Grande do Sul está avançando com a governadora Yeda, mas o questionamento político duríssimo que vem sendo feito a ela em nada ajuda. “Estamos crescendo, mas poderíamos avançar mais não fosse essa briga forte existente lá. Talvez pudéssemos trabalhar, lutar pelas questões partidárias, pelos espaços partidários e, passada a eleição, trabalhar pela convergência, por pontos comuns, separar a divergência, focar no possível entre irmãos, mesmo de partidos diferentes”, defendeu o deputado Darcísio Perondi.

O deputado Perondi pediu mais paz e convergência, para o bem do Rio Grande

O deputado Perondi pediu mais paz e convergência, para o bem do Rio Grande

 

 

 

Todos cantaram o hino do Brasil e do Rio Grande do Sul

Todos cantaram o hino do Brasil e do Rio Grande do Sul

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segue o discurso na íntegra:

Minha saudação a todas as senhoras e senhores aqui presentes, gaúchos, gaúchas, amigas e amigos do Rio do Grande que, como eu, nasceram no Rio Grande e estão aqui; quero cumprimentar o Deputado Pauletti, o primeiro a pedir — brilhante sugestão, Deputado Pauletti — para relembrar essa história marcante e exemplar do nosso Rio Grande,

ao Deputado Marco Maia, que se juntou ao pedido para realização desta solenidade, dou-lhe parabéns pela ideia; saúdo o Prefeito dos prefeitos, Sr. Cleri Camillotti, que administra a querida cidade de Três Passos, que lidera a região celeiro do Rio Grande do Sul; o Vereador dos vereadores, Sr. Edno Eloi Frizzo, de Caxias do Sul; o Sr. Mário Nogueira, representante do escritório do Rio Grande do Sul em Brasília; o Sr. Dorvílio Calderan, representante da Confederação que segura essa história maravilhosa do Rio Grande; o Sr. Francisco Luçardo, representante da Governadora Yeda Crusius, que provavelmente estará à noite na conclusão dessa homenagem de Brasília e do Brasil Central ao Rio Grande do Sul.

Cento e setenta e quatro anos da Revolução Farroupilha, marco que temos de estudar cada vez mais. Há outro marco, a Revolução Federativa de 1893, que não conhecemos muito. Sabemos muito da Revolução Farroupilha, mas a Federativa também é extraordinária em exemplo de heroísmo, de luta pela terra, não pela terra gaúcha, mas pelo Brasil como um todo, mas aqui hoje comemoramos o dia 20 de setembro, episódio no qual o Rio Grande do Sul consolidou sua integração à nação brasileira, logrando obtê-la com dignidade e respeito às suas mais caras tradições.

Lembro que falo neste momento em nome da bancada do PMDB do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Afinal, essa porção de nosso território caracterizou-se, desde o início da colonização, por uma série de peculiaridades. Antes mesmo do descobrimento, o Tratado de Tordesilhas já a destinava à Espanha. E tal situação só veio a ser solucionada no século XVIII, do ponto de vista diplomático e legal, com a incorporação dos Sete Povos das Missões ao domínio português, por meio dos Tratados de Madrid e de Santo Ildefonso.

Eu seria um espanhol, se não houvesse o tratado.

Na prática, apesar de resolvidas as pendências diplomáticas e legais, os habitantes da então Província de São Pedro continuaram nutrindo, durante longo tempo, o sentimento de estarem isolados e submetidos à discriminação política e econômica. Esse sentimento se explica, em parte, por fatores como a formação histórica singular, o afastamento do núcleo decisório — estamos lá na ponta — , a característica de região de fronteira. E foi crescentemente reforçado, após a Independência, pela excessiva centralização levada a efeito pelo Império e pelos consequentes aumentos de impostos e ameaças à autonomia provincial.

Assim, embora pareça contraditório, ao proclamar uma república nos pampas, sob a divisa Liberdade, Igualdade, Humanidade, o Rio Grande estava, realmente, manifestando seu desejo de contribuir para a unidade nacional, mediante o estabelecimento de equilibrada relação entre as entidades participantes.

Isso fica claro, por exemplo, no discurso feito por Bento Gonçalves, quando da abertura dos trabalhos da Assembleia Constituinte Farroupilha de 1842, portanto, ainda durante a revolução, conforme o trecho a seguir: … e se aproxima o dia, em que, banida a realeza da Terra de Santa Cruz, nos havemos de reunir para estreitar laços federais à magnânima Nação brasileira, a cujo grêmio nos chame a natureza e nossos mais caros interesses.

Não era separatista. Os nossos guerreiros queriam e amavam o Brasil. Estavam reagindo à injustiça.

Enquanto esse dia não chegava, entretanto, os farroupilhas não hesitaram em levantar-se contra as forças imperiais, empreendendo a mais longa revolta já assinalada pela História do Brasil. Da conquista de Porto Alegre, em 1835, à Paz de Ponche Verde, em 1845, registraram-se 118 embates, com 59 vitórias de cada lado, no período que, muito apropriadamente, passou a ser conhecido como decênio heróico.

A luta foi inclemente, e, embora o número de combatentes mortos seja impreciso, a estimativa é de que as baixas entre os farroupilhas tenham sido equivalentes ao dobro das havidas entre os imperiais.

Entretanto, o Rio Grande não saiu vencido no campo de batalha. Conseguiu estabelecer uma paz honrosa, preservar sua identidade e, ao mesmo tempo, integrar-se ao Brasil nascente.

Por isso, Bento Gonçalves, David Canabarro, Antonio Neto, Domingos Crescêncio, Giuseppe, Anita Garibaldi, mulher guerreira, além dos nomes das batalhas de Seival, de Rio Pardo, de Laguna, merecem hoje a reverência não apenas dos rio-grandenses, mas de todos os brasileiros.

Igualmente merecedores dessa reverência são episódios memoráveis como a fuga de Bento Gonçalves, a nado, da prisão do Forte do Mar, na Bahia. Ou a incrível construção e o transporte por terra de navios, puxados por juntas de bois, campo afora, desde a foz do rio Capivari, na Lagoa dos Patos, até a costa da praia, em Tramandaí, para possibilitar a conquista de Laguna e a instituição da República Juliana.

Assim, esses nomes e episódios, meu caro Deputado Pauletti, bem como o espírito libertário, o apego às tradições e o amor à terra natal, evocados pela celebração da Revolução Farroupilha, devem ser para sempre preservados, como os mais nobres símbolos da grandiosa contribuição do Rio Grande à construção do País.

Hoje centenas de centros de tradição no Rio Grande e no Brasil, milhares de homens e mulheres — pais, mães — fazem extraordinário trabalho. Lembram a história, mas estão construindo o presente e o futuro do Rio Grande e do Brasil; das crianças e dos adolescentes das famílias gaúchas, pelo trabalho que fazem por meio da música, da poesia, da arte do gaúcho.

Para o Brasil que não conhece — possivelmente em muitos cantos do Brasil a televisão está ligada — é um encanto o trabalho feito pelas senhoras e senhores líderes dos centros de tradição: desenvolvem a autoestima, a autoconfiança, o amor à Pátria, a segurança própria e o amor próprio de crianças e adolescentes.

É maravilhoso o trabalho dos senhores e ver crianças e jovens dançando, cantando, declamando. Criança e jovem com autoestima, com certeza, brasileiros líderes, confiantes neste Brasil presente e futuro. É realmente extraordinário trabalho.

Em nome do PMDB, parabenizo as lideranças tradicionalistas de todo o Brasil, em especial no Rio Grande, que divulgam com ênfase a tradição e a cultura aos adolescentes.

O Deputado Professor Ruy Pauletti falou do Rio Grande de hoje. Vou aproveitar o embalo de S.Exa., mas antes eu vou fazer referência a alguns CTGs pelos quais circulo ali na minha microrregião e a todos os CTGs: Três Passos, de Santo Augusto; Camaquã, de Pelotas; e não só da microrregião, Celeiro, Planalto Médio; Chaleira Preta, do Sr. Orione Rodrigues, de Ijuí; Querência Xucra, de Fiorin, também da minha cidade; Chão Batido, de Evaldo da Silva Lopes; Laureano Medeiros, um dos mais antigos, é o CTG 35, e parece que tem mais um que são os mais antigos, hoje sob o comando do João Joceli da Silva; Querência Gaúcha, sob o comando de Edemar Martins Pereira; Avô Maragato, de Diomar Krammer; o Clube Farroupilha, de Adilson Goi; o Piazito Carreteiro, comandado por Darci Steffler; o Velho Vargas, comandado pelo Ciro Santana; o Fogo de Chão, pelo Sandro de Assis; o Cabo Toco, pelo Pedro Pittol; o Aurora Pampeana, do Lourival Cabral; o povo de Cruz Alta; o Querência da Serra, do Valdir Bauer; o Zandir Constant, do Rodeio da Saudade; o povo de Santo Ângelo; o Paulo Benir, do Aparício Borges; a Nelma Rodrigues Filipin, do Tio Bilia; o Luigi Schmidt, do Voz dos Pampas; o Valdomiro Casarim, da Volta dos Farrapos.

Ao citar essas pessoas, presto minha homenagem aos homens e mulheres, líderes dos CTGs do Rio Grande do Sul e do Brasil inteiro, porque considero incrível o trabalho que desenvolvem de cultivar a tradição do Rio Grande para nós adultos, e, como disse, promover a autoestima de crianças e adolescentes.

Para encerrar, Deputado Professor Ruy Pauletti, nosso Rio Grande: por que não conseguimos nos juntar mais do que é preciso? Nós, políticos, parece que ao longo das eleições, ou ao longo dos últimos 30 ou 40 anos, estamos repetindo essa história. A Guerra dos Farrapos foi uma luta pelo nosso Rio Grande; a Revolução Federativa também o foi.

Mas, atualmente, no Rio Grande, cada eleição é uma batalha. Passa a eleição, não conseguimos nos convergir. Isso é um desafio para nós políticos, de todos os partidos. Passou a eleição, vamos apoiar, vamos criticar, mas vamos ajudar.

Com certeza, o Rio Grande do Sul hoje está avançando com a Governadora Yeda, mas num questionamento político duríssimo que não ajuda. Eu me lembro que no Governo Antônio Britto também foi duríssimo, depois assumiu o Olívio Dutra, o outro lado num questionamento duríssimo. Acho que passava dos limites da Oposição.

No último Governo, do Germano Rigotto, foi razoável; no Governo da Yeda Crusius, voltou aquela luta.

Na Revolução Farroupilha não houve muito ódio entre irmãos, mas na Revolução Federativa de 1893 — quem não leu sobre ela, leia para conhecê-la — e depois na de 1923 houve ódio, sangue, briga. Não havia condições de convergir e parece que isso nós políticos gaúchos estamos reeditando ao longo do tempo.

O Estado avança. Sou otimista com o meu Estado. Estamos crescendo, mas poderíamos avançar mais não fosse essa briga forte existente lá. Talvez pudéssemos trabalhar, lutar pelas questões partidárias, pelos espaços partidários, e, passada a eleição, trabalhar pela convergência, por pontos comuns, separar a divergência, focar no possível entre irmãos, mesmo de partidos diferentes.

Que esta sessão sirva também para refletirmos sobre este assunto. O Rio Grande do Sul precisa de mais convergência, de mais paz política, de mais tolerância.

É preciso disputar espaços, mas também pensar no todo, no coletivo. É disso que precisamos no Rio Grande.

Parabéns, Deputados Professor Ruy Pauletti e Marco Maia, pela iniciativa da realização desta sessão. Parabéns a todos os gaúchos e gaúchas. Parabéns aos jovens presentes.

Viva o Brasil! Viva o nosso Rio Grande!

 

Assessoria de Imprensa: Fábio Paiva – (61) 9982-0070

Chefia de Gabinete: Frederico Borges – (61) 9216-0101

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